• Drª Ivia Magalhães

Um novo olhar para a ansiedade

Atualizado: 15 de Jan de 2019


Nos dias atuais é difícil conhecer alguém que não tenha passado por momentos de ansiedade ou seja ansioso. Quando isso ocorre de forma contínua e duradoura, passando a atrapalhar a vida da pessoa, pode se caracterizar o “distúrbio de ansiedade”. Nesse caso, nem sempre o medicamento deve ser única opção, mas não devemos deixar de prescrevê-los quando bem indicados. O primeiro ponto é buscar o médico para o diagnóstico correto.


A ansiedade pode levar a:

✔️ Coração acelerado;

✔️ Falta de ar;

✔️ Tremor;

✔️ Insônia;

✔️Cansaço;

✔️Dificuldade para respirar.


Antes de analisar os sintomas do paciente de forma isolada e prescrever um medicamento, esse paciente deve ser visto como um todo, inclusive, avaliando fatores relacionados ao estilo de vida, necessidade de suplementação, além de acompanhamento psicológico. Se o profissional não tiver o olhar mais integral, corre o risco de prescrever medicamentos que servirão apenas para tratar a consequência, de uma condição que atinge um número cada vez maior de pessoas. Não devemos ser contra medicamentos, porém eles devem ser usados com sabedoria.


Há pessoas com ansiedade, que a causa pode ter relação com um estilo de vida inadequado, por exemplo, a alimentação inadequada. A ingestão de proteínas e consequentemente de aminoácidos pode influenciar no funcionamento do cérebro e na saúde mental. Muitos neurotransmissores são produzidos a partir de aminoácidos. O neurotransmissor dopamina é produzido a partir do tirosina e o neurotransmissor serotonina é feito a partir do triptofano. Se houver falta de qualquer um desses dois aminoácidos, não haverá síntese suficiente dos respectivos neurotransmissores, o que está associado à alteração humor e à agressividade nos pacientes (Indian J Psychiatry.2008 Apr-Jun; 50(2): 77–82). Se você não entender que o alimento é combustível para as suas células, ficará difícil melhorar essa condição. Há pacientes que chegam no meu consultório, usando medicamentos, mas não se alimentam de forma adequada e isso tem que ser levado em conta. Deficiências de vitaminas e minerais podem piorar a ansiedade.


Segundo alguns estudos, a resposta inflamatória pode ocorrer na fisiopatologia da ansiedade, devido ao aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias, incluindo fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e interleucina-6 (IL-6). Logo, uma intervenção utilizando diversos princípios não medicamentosos pode ajudar nas questões emocionais (Nutr Neurosci.2018 Sep 28:1-11 ). O aumento do consumo de fast food pode levar a um aumento do risco de inflamação, provavelmente devido ao aumento do estado inflamatório do organismo (Public Health Nutr 2012 Mar;15(3):424-32).


A microbiota intestinal deve ser outro ponto analisado. O intestino é o nosso segundo cérebro, onde ocorre também a produção de serotonina. Uma microbiota intestinal saudável é essencial para a fisiologia intestinal normal e contribui para a sinalização apropriada ao longo do eixo do intestino-cérebro.


Cada vez mais estudos mostram a relação entre intestino e cérebro. Muitos relatam a possibilidade de comunicação através do nervo vago. Hoje, já se fala em “microbiota- intestino- eixo-cérebro”. Algumas cepas de bactérias podem aliviar a ansiedade e sintomas depressivos, inclusive em humanos ( Br. J. Nutr. 105, 755–764 (2011)). A “modulação” intestinal adequada junto com outras intervenções pode ser um caminho no cuidado desses pacientes ( J Altern Complement Med. 2017 Apr;23(4):249-258).


Muitas pessoas ansiosas são sedentárias e usam medicamentos, achando que neles encontrará a solução definitiva da sua condição. Há diversas evidências que exercícios em populações clínicas diagnosticadas com depressão e ansiedade tem diversos benefícios ( J Prev Med Public Health2013 Jan; 46(Suppl 1): S12–S21).


A meditação pode ter um efeito benéfico sobre os sintomas de ansiedade e pode melhorar a reatividade ao estresse. (J Clin Psychiatry.2013 Aug;74(8):786-92).


O paciente deve ser visto como um todo, pois as partes se comunicam e, infelizmente, cada vez mais pessoas estão usando medicamentos sem corrigir o básico para que o organismo alcance o equilíbrio, e consequentemente reduza a dependência de medicamentos.

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Drª. Ivia Magalhães

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