• Drª Ivia Magalhães

O problema pode não ser só a lactose

Atualizado: 1 de Fev de 2018

A lactose é o açúcar do leite, sendo cada vez mais comum encontrar pacientes que relatam que são intolerantes à #lactose e que, mesmo após consumir apenas produtos sem lactose, apresentam várias queixas sistêmicas. Vou explicar como isso é possível...


Muitas pessoas acham que retirar apenas a lactose é a solução, porém, em alguns casos, essa NÃO é a única medida efetiva. Vale explicar, ainda, que a solução não é ficar usando enzimas digestivas o tempo inteiro para ingerir "normalmente" o leite e seus derivados.


A lactose é apenas UM dos componentes do leite de vaca. A intolerância à lactose ocorre devido à incapacidade do corpo de digeri-la.


E quais seriam os outros componentes do leite de vaca? Diversos estudos já demonstraram existir mais de 20 frações protéicas alergênicas nesse leite (Rev Bras Alerg Imunopatol 2008, 31 (2): 64-89).


O leite de vaca tem relação com diversos processos alérgicos clássicos e imediatos, mediados por IgE (corresponde 1 a 2%). Esses casos são identificados pelo prurido (coceira), espirro, edema, pele vermelha e até pelo choque anafilático.


Acontece que há as alergias alimentares tardias, que são mediadas por IgG, chamadas também de hipersensibilidades alimentares, podendo desencadear sintomas de 2h a 3 dias após o contato com o alimento, o que dificulta a identificação do agente causador, podendo causar enxaqueca, alteração do humor, alteração do hábito intestinal, cansaço, inchaço, dermatite e muitos outros sintomas.


A intolerância à lactose pode levar a transtornos funcionais gastrointestinais e sistêmicos, mas nem de longe é a principal causa das reações sistêmicas desencadeadas pelo leite de vaca.


O leite de vaca apresenta beta-lactoglobulina, caseína e alfa-lactoalbumina que são difíceis para o organismo humano digerir.


As proteínas alergênicas dos lácteos provocam uma inflamação da mucosa intestinal e alteram a permeabilidade intestinal, dessa forma, há a passagem de macromoléculas para a corrente sanguínea, além de ocasionar má absorção dos nutrientes.


A mucosa intestinal produz enzimas, serotonina, hormônios e essas alterações da permeabilidade alteram todo o funcionamento do organismo. Há ainda as macromoléculas que atravessam a mucosa intestinal, que podem ser reconhecidas como estranhas pelo corpo, levando à formação de anticorpos, estímulo do sistema complemento, liberação de histamina e substâncias pró-inflamatórias, atingindo todo o corpo da pessoa, causando alterações físicas e até emocionais.


Há evidências da relação da alergia tardia ao leite da vaca com otite, dermatite, rinite, sinusite, obesidade, aumento da resistência insulínica, refluxo, obstipação intestinal, falta de concentração, enxaqueca, entre outros problemas de saúde.


Nos processos alérgicos tardios, a histamina é liberada em pequenas quantidades, logo não desencadeia aquelas reações tão comuns e que todo mundo reconhece como alergias (coceira, edemas, vermelhidão, etc), muito pelo contrário, em quantidades pequenas, a histamina pode levar ao relaxamento cerebral, dando sensação de conforto, e então o alérgeno ingerido dá a sensação inicial de prazer, mas depois, após a formação de imunocomplexos, pode levar a diversos sintomas, e a pessoa não relaciona, porque pode acontecer até alguns dias depois.


Para melhorar tudo isso é necessário o diagnóstico correto, recuperar a barreira intestinal, melhorar os hábitos e o estado imunológico do pacientes.


Então, antes de achar que o problema é só a “lactose”, saiba que há outras substância no leite que podem levar a sintomas de hipersensibilidade tardia. Procure ajuda de um profissional capacitado para o diagnóstico e tratamento adequado do seu caso.



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Drª. Ivia Magalhães

Médica

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